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... Expressividade ...

"Decifra-me mas não me conclua, eu posso te surpreender! - Clarice Lispector

Textos


🖤 O Cubo e a Carne (Experimental Psicoestrutural Batailliano)

Sintese:

O corpo desafia o cubo.

A mente tenta conter o desejo.

A forma se dissolve.

Resta o vazio

onde o sentir vence o controle.

 

Texto

 

há um som preso no ar...

um eco metálico...

que vibra entre as linhas de um cubo.

 

o rosto desfocado

não sabe onde termina a mente

e começa o corpo.

 

as formas se confundem

a carne respira geometria,

a razão transpira medo.

 

o cubo pensa.

mede.

controla.

 

mas o corpo...

o corpo deseja.

 

sua pele molha a estrutura,

sua pulsação rompe o cálculo,

seu calor enferruja o conceito.

 

as tatuagens, como mapas de fuga,

apontam para dentro.

e o dentro arde.

 

o cubo resiste,

treme,

treme de sentir.

 

as arestas se dissolvem em suor,

a exatidão se curva,

a ideia se contamina de vida.

 

por um instante,

a mente tenta permanecer pura.

mas o corpo é impuro

e por isso verdadeiro.

 

as linhas se partem.

a forma se cansa.

o cubo se abre.

 

não há dentro,

não há fora.

 

só o intervalo...

onde o corpo respira

e o pensamento sangra.

 

no fim,

ou talvez no começo,

resta apenas o silêncio...

 

um vazio que pulsa.

um cubo que já não contém nada.

 

🦋🦋🦋

 

Experimental  - Exercício e Criação de estilo/Subgênero.

Subgênero: Experimental Psicoestrutural Batailliano

Eixo temático: a mente como prisão geométrica e o corpo como tentativa de fuga.

Estrutura sugerida:

1. Preâmbulo (sensação) — onde o narrador percebe a prisão invisível.

2. Fragmento (colapso) — a forma começa a ruir, o corpo se dobra, a identidade se duplica.

3. Suspensão (vazio) — o sujeito experimenta a vertigem de não ser.

4. Corpo (rito) — o desejo tenta atravessar as linhas do cubo.

5. Silêncio final (libertação ou aniquilação) — o cubo continua, mas o corpo já não obedece.

 

Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 15/10/2025
Alterado em 15/10/2025
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