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... Expressividade ...

"Decifra-me mas não me conclua, eu posso te surpreender! - Clarice Lispector

Textos


Deixe o outro decidir... E o que foge disso é manipulação e narcisismo.

 

O problema não é amar.

O problema é inventar alguém e exigir que o outro ame essa invenção.

 

Há uma distância enorme entre o ser e o parecer, e é nesse intervalo que muita gente constrói seus relacionamentos.

Gente que cria personagens, perfis, avatares... e depois cobra do outro uma entrega real... Querem que o outro sinta, que o outro deseje, que o outro se envolva, mas nunca com quem eles realmente são...

 

Seduzem com palavras, mas se escondem do som da própria voz.

 

A escrita, quando é honesta, toca.

Mas quando é mentira, toca também e fere!! Porque a mentira tem perfume de promessa... E há quem se apaixone por esse perfume, acreditando que atrás dele existe alguém que respira.

 

O mundo moderno banalizou o amor e sofisticou a mentira... Agora se mente com afeto, com profundidade, com discurso intelectual...

 

Falam de liberdade, de mente aberta, de poliamor, mas tudo isso é teoria quando o corpo real chega! Ser mente aberta não é aceitar tudo... é permitir que o outro decida.

E é isso que quase ninguém faz: deixar o outro decidir.

 

Não se trata de gênero, nem de forma.

Trata-se de verdade... De dizer: “sou isso”, mesmo que o outro vá embora depois.

De não empurrar o outro para um roteiro inventado, sem lhe dar o direito de escolha...

 

O toque imaginado pode até ter poesia, mas o toque vivido tem consequência.

E é aí que o amor acontece ou se desfaz.

 

O que dói não é a ausência do corpo, é a ausência da coragem. Coragem de dizer: “eu sou mulher”, “eu sou homem”, “eu sou o que sou”... Porque quando se tira essa verdade do encontro, o que resta é performance. E ninguém se apaixona por performance, se distrai, no máximo.

 

Há gente que escreve o enredo inteiro do amor antes mesmo do primeiro olhar.

Define o roteiro, o figurino, o desfecho.

E o outro, sem perceber, entra na história como coadjuvante de uma ficção que nunca escreveu...  Isso não é romance, é manipulação. E o amor, quando é verdadeiro, nunca nasce do controle.

 

É simples, mas as pessoas complicam.

 

O outro tem o direito de saber quem você é... De escolher se fica, se deseja, se toca, se vai embora...Roubar esse direito é uma violência sutil, mas profunda.

 

O amor não é um experimento social.

O amor é carne, cheiro, voz, medo, respiração... E quem tenta substituir isso por enredo, um dia vai descobrir o vazio de quem é amado por um personagem.

 

A sedução real começa quando a gente tem coragem de ser... e deixa o outro decidir se quer ficar.

 

A manipulação sutil, ainda é manipulação... 

Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 14/10/2025
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