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Deixe o outro decidir... E o que foge disso é manipulação e narcisismo.
O problema não é amar. O problema é inventar alguém e exigir que o outro ame essa invenção.
Há uma distância enorme entre o ser e o parecer, e é nesse intervalo que muita gente constrói seus relacionamentos. Gente que cria personagens, perfis, avatares... e depois cobra do outro uma entrega real... Querem que o outro sinta, que o outro deseje, que o outro se envolva, mas nunca com quem eles realmente são...
Seduzem com palavras, mas se escondem do som da própria voz.
A escrita, quando é honesta, toca. Mas quando é mentira, toca também e fere!! Porque a mentira tem perfume de promessa... E há quem se apaixone por esse perfume, acreditando que atrás dele existe alguém que respira.
O mundo moderno banalizou o amor e sofisticou a mentira... Agora se mente com afeto, com profundidade, com discurso intelectual...
Falam de liberdade, de mente aberta, de poliamor, mas tudo isso é teoria quando o corpo real chega! Ser mente aberta não é aceitar tudo... é permitir que o outro decida. E é isso que quase ninguém faz: deixar o outro decidir.
Não se trata de gênero, nem de forma. Trata-se de verdade... De dizer: “sou isso”, mesmo que o outro vá embora depois. De não empurrar o outro para um roteiro inventado, sem lhe dar o direito de escolha...
O toque imaginado pode até ter poesia, mas o toque vivido tem consequência. E é aí que o amor acontece ou se desfaz.
O que dói não é a ausência do corpo, é a ausência da coragem. Coragem de dizer: “eu sou mulher”, “eu sou homem”, “eu sou o que sou”... Porque quando se tira essa verdade do encontro, o que resta é performance. E ninguém se apaixona por performance, se distrai, no máximo.
Há gente que escreve o enredo inteiro do amor antes mesmo do primeiro olhar. Define o roteiro, o figurino, o desfecho. E o outro, sem perceber, entra na história como coadjuvante de uma ficção que nunca escreveu... Isso não é romance, é manipulação. E o amor, quando é verdadeiro, nunca nasce do controle.
É simples, mas as pessoas complicam.
O outro tem o direito de saber quem você é... De escolher se fica, se deseja, se toca, se vai embora...Roubar esse direito é uma violência sutil, mas profunda.
O amor não é um experimento social. O amor é carne, cheiro, voz, medo, respiração... E quem tenta substituir isso por enredo, um dia vai descobrir o vazio de quem é amado por um personagem.
A sedução real começa quando a gente tem coragem de ser... e deixa o outro decidir se quer ficar.
A manipulação sutil, ainda é manipulação... Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 14/10/2025
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