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A mulher que carregava a lua (em Pue Lux)
ajoelhei-me na beira do tempo com a cabeça pendendo do céu. não pedi nada, mas a lua, curiosa, desceu devagar... e pousou em mim como febre.
ficamos assim, ela presa ao meu rosto, eu presa à vertigem dela. não sei quem refletia quem, só sei que ardiam nossos silêncios.
senti o peso da claridade, um cansaço antigo, feito de séculos. as estrelas cochichavam meu nome em dialeto de vidro e sal.
quis chorar, mas era luz demais pra lágrima. quis fugir, mas o escuro me abraçou primeiro.
dizem que enlouqueci naquela noite, que a lua me escolheu por engano. mas eu sei: não foi loucura... foi parto.
nasci de mim mesma com a face iluminada e o corpo ainda sujo de sombra. Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 05/10/2025
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