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De quem não voltou Sinopse: há corpos que não dormem, apenas lembram o formato de um abraço.
Texto:
I. meu lado da cama ainda tem teu cheiro. é um perfume gasto, desses que não se encontra mais. talvez porque tenha sido inventado por nós.
II. o lençol enrugado guarda um mapa; teu corpo é o país que já não existe, mas que ainda sonho visitar.
III. a solidão tem cor de pele. um tom que o tempo não apaga, só desbota devagar, como fotografia esquecida no sol.
IV. não há mais amor, mas há o costume de te procurar no travesseiro, como quem busca ar embaixo d’água.
V. entre o ontem e o agora, fiquei. não por escolha, mas porque ainda é aqui que teu silêncio dorme.
inspirado na pintura “Solitude” de Andrian Borda dedicado a quem aprendeu que saudade também tem corpo.
Estrutura de uma Disdualrima em X: A forma em X representa dois eixos de sentimento: * o eixo da presença e ausência (vertical) * o eixo do eu e do outro (horizontal) no ponto central, o cruzamento, surge o instante do toque ou da perda. A partir daí, o poema se dobra sobre si mesmo: o início fala de “mim”, o fim fala “de ti”, e o meio fala do entre nós.
(I) EU SENTINDO O RESTO meu lado da cama ainda tem teu cheiro, é o resquício, o que ficou.
(II) TU AUSENTE o lençol guarda teu mapa, mas o país acabou. ╲ ╱ ╲ ╱ ╲ ╱ ╲ ╱ X ← cruzamento emocional (EIXO CENTRA) ╱ ╲ ╱ ╲ ╱ ╲ ╱ ╲
(III) ENTRE-NÓS (O PONTO DE RUÍNA) a solidão tem cor de pele, o contato virou memória.
(IV) DESDOBRAMENTO DO TU não há mais amor, só o reflexo de te procurar.
(V) DESFECHO — EU EM ECO entre o ontem e o agora, fiquei. aqui dorme teu silêncio.
Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 05/10/2025
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