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... Expressividade ...

"Decifra-me mas não me conclua, eu posso te surpreender! - Clarice Lispector

Textos


De quem não voltou 

Sinopse:

há corpos que não dormem,

apenas lembram o formato de um abraço.

 

Texto:

 

I.

meu lado da cama ainda tem teu cheiro.

é um perfume gasto, desses que não se encontra mais.

talvez porque tenha sido inventado por nós.

 

II.

o lençol enrugado guarda um mapa;

teu corpo é o país que já não existe,

mas que ainda sonho visitar.

 

III.

a solidão tem cor de pele.

um tom que o tempo não apaga,

só desbota devagar, como fotografia esquecida no sol.

 

IV.

não há mais amor,

mas há o costume de te procurar no travesseiro,

como quem busca ar embaixo d’água.

 

V.

entre o ontem e o agora,

fiquei.

não por escolha,

mas porque ainda é aqui que teu silêncio dorme.

 

inspirado na pintura

“Solitude” de

Andrian Borda

dedicado a quem aprendeu que saudade também tem corpo.

 

Estrutura de uma Disdualrima em X: A forma em X representa dois eixos de sentimento:

* o eixo da presença e ausência (vertical)

* o eixo do eu e do outro (horizontal)

no ponto central, o cruzamento, surge o instante do toque ou da perda. A partir daí, o poema se dobra sobre si mesmo: o início fala de “mim”, o fim fala “de ti”, e o meio fala do entre nós.

 

(I) EU SENTINDO O RESTO

           meu lado da cama ainda tem teu cheiro, é o resquício, o que ficou.

 

 (II) TU AUSENTE

           o lençol guarda teu mapa,

           mas o país acabou.

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                    X ← cruzamento emocional (EIXO CENTRA)   

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(III) ENTRE-NÓS (O PONTO DE RUÍNA)

           a solidão tem cor de pele,

           o contato virou memória.  

 

 (IV) DESDOBRAMENTO DO TU

           não há mais amor,

           só o reflexo de te procurar.

 

 (V) DESFECHO — EU EM ECO

           entre o ontem e o agora, fiquei.

           aqui dorme teu silêncio.

 

 

Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 05/10/2025
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