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Do que ficou entre nósSinopse: dois corpos dormem... mas só um sonha o outro.
Texto:
há um silêncio que pesa entre nossos ombros. ele não vem da noite, vem do costume.
um costume que aprendeu a respirar por nós.
tu viras pro lado, e o lençol te segue, como se soubesse o caminho da tua ausência.
meu corpo, ainda quente, procura o rastro do teu, não por desejo, mas por lembrança.
há uma ternura cansada, um amor que já não queima, só mantém a brasa, pra não admitir o frio.
te abraço devagar, como quem segura um espelho rachado: cuido pra não cortar a pele, mas me sangro por dentro.
teus sonhos tocam os meus por engano, e nesse instante breve, há algo de sagrado... ou talvez só o eco de um amor que já foi prece.
amanhece. e o sol, cruel, revela o que a noite ainda escondia: a cama é uma fronteira.
um lado é carne, o outro é distância.
e no meio, há o que fomos... ainda respirando, sem saber se dorme ou se espera acordar.
inspirado na pintura “Sleeping Lovers” de Andrian Borda dedicado aos amores que sobrevivem ao tempo, mas não ao silêncio.
Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 05/10/2025
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