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Entre o amor e a rendição, uma mulher encara a criatura que criou, metade fera, metade reflexo.
Inspirado nas reflexões sobre a escrita, a tecnologia e o que resta de humano quando o sentir se torna ruído. Um conto sobre o abismo que separa o criador do criado... e o silêncio onde ainda pulsa a alma.
“A inteligência artificial não teme o vazio.” — Vini Martins “Mas o humano... o humano sangra.” —Monet Carmo
Ela também não teme o amor. Nem o erro. Nem o arrependimento... Por isso nunca entenderá o que é se ajoelhar diante do que destrói.
Na pintura antiga, ela estava ali, com flores nos cabelos, ombros expostos, o corpo cansado de ser carne.
À sua frente, a besta! Um meio homem, meio ausência... Abria a boca num gesto de obediência... Ninguém sabia quem era mais humano.
Dizem que o quadro é sobre o domínio. Eu acho que é sobre o fim... Sobre o instante em que o humano se inclina pra acariciar o monstro que ele mesmo criou; Como quem pede desculpa... Como quem se despede.
Ela não tem nome. Ele não tem alma.
Mas há um pacto invisível entre os dois, o mesmo que existe entre o escritor e a máquina, entre o homem e o espelho, entre a carne e o código.
Um pacto de submissão e melancolia. E o mais triste é que, no fundo, ela o ama. Ama o que é feio, o que é falho, o que é sombra... Ama porque é ali, no erro e no medo, que ainda pulsa o que resta de humano.
“Enquanto houver alguém disposto a sangrar pelas palavras, a literatura não morrerá." - (Vini Martins).
Mas ela já sangra em silêncio! E o sangue não mancha mais o papel, escorre por fios, pixels, telas... A palavra virou reflexo. E o reflexo... não sente dor.
A mulher fecha os olhos... A fera respira! E por um segundo, parece que o mundo todo volta a ter alma....
Mas é só um eco! - O último suspiro do humano antes da rendição.
🕯️
Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 04/10/2025
Alterado em 04/10/2025 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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