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“Você se sabota com maestria” — disseste como quem entrega sentença.
E eu sorri, porque se é verdade que me saboto, ao menos o faço com arte, com a dignidade de quem escolhe seus próprios abismos.
Sabotar-se não é desistir, é saber que certas pontes não valem a travessia, é negar o jogo quando o prêmio é vazio, é guardar meu corpo e minha alma do veneno que me oferecem como vinho.
Se me saboto, é porque aprendi a não dar o colo que vira prisão, a não beijar a boca que me silencia, a não oferecer minha face a quem só sabe ferir com a própria.
Maestria? Talvez. Mas é maestria em sobreviver, em não me perder no reflexo de outro, em amar até o limite da dignidade e, no instante certo, soltar a corda que poderá me sufocar. Porque se amar a mim mesma é sabotagem, então que seja… serei sempre a melhor entre os sabotadores.
Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 28/09/2025
Alterado em 28/09/2025 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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