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Tenho desejado tua realidade... com toda a ternura possível, e sem querer ser reflexo de um caminho antigo. Ergo altares, não de ódio, mas de entrega, onde ponho minhas amarguras, minhas feridas, meus diagnósticos; ofereço-os ao desejo que cresce por ti, na esperança de que floresça algo novo.
Não quero ser espelho de uma velha escolha, daquela que nasceu de outra escolha e se repetiu em sombras. Quero ser começo, não repetição. Quero que o nosso encontro não remende passado alheio, mas escreva uma página só nossa.
Tenho tentado, com cuidado, a delicadeza dos que amam sem destruir. É difícil... dias se alongam em meses sabáticos, e eu tremo com a ideia de que dentro de ti ainda morem quatorze anos de outros pactos, outras esmeraldas guardadas no peito.
Não quero ser mais um peixe a nadar no teu aquário de lembranças, nem um bilhete amassado preso ao vidro. Quero nadar contigo em mar aberto, sem datas marcadas, sem coleções antigas, com a liberdade de quem escolhe por inteiro.
Em minhas insônias bagunço teus cabelos grisalhos que me encantam e emociona... Esse teu sorriso meio de lado me desarma e me acende. E ao desejar morder teu peito e deixar minha marca em direção ao teu coração, é por medo de perder o que ainda não é meu; é tentativa de cauterizar as feridas velhas, que sei que guardas em algum lugar!
Que a minha boca cure o que precisa curar e que as minhas mãos aprendam a cuidar sem prender, que eu possa admirar tuas tatuagem visíveis e me reverênciar as que tu esconde para admira-las nas angustias...
Não te entrego um mero desejo e muito menos, desejo que esse seja um ritual repetido de amores que deram errado! Quero que ao olhar no fundo da íris fogo vivo que carrego comigo, que tu saibas que te curo, te purifico para um momento de simplicidade, caneca de barro, taça de plástico e amor de vidro... Sim, ainda continuo sendo delicada quando são dois, afinal, sendo apenas eu... Sigo, dura, cruel e inabalável!
Sabe..
Traga-me, então, tua verdade inteira... sem véus, sem memórias que te prendam sem vontade. Dou-te amor que não busca ser espelho, dou-te amor que quer mirar a vida a dois, novo, frágil e potente, até que sobre apenas a pele quente do real. Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 20/09/2025
Alterado em 20/09/2025 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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