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À moda VeríssimoEscrita em Marco/2019.
Tem dias em que sair da cama parece impossível. E não porque o lençol é quentinho, mas porque a vida lá fora parece uma dessas reuniões de condomínio: longa, inútil e cheia de gente falando bobagem. Nesses dias, levantar da cama já é uma vitória. Uma vitória pequena, é verdade. Tipo golear o Íbis. Mas ainda assim, vitória.
Não precisa salvar o mundo, escrever um romance ou ser feliz. Basta aparecer. Mostrar a cara amassada, a ressaca moral, o hálito assassino e dizer: “Estou aqui, mundo, agora faz o teu pior”. Isso já é um ato heroico.
O amor-próprio, nesses dias, não vem em forma de banho aromático ou frase de coach. Vem em forma de café requentado e a dignidade de não ter morrido durante a madrugada — o que, convenhamos, já teria sido uma solução prática.
A vida é assim: às vezes, parece uma transa ruim. Você entra empolgado, cheio de expectativa, e no meio percebe que vai ser só suor, constrangimento e arrependimento. Mas, como no sexo, você continua. Porque desistir no meio seria ainda mais patético.
Então, sim: levantar-se já é quase um orgasmo existencial. Mal dado, rápido e sem aplausos, mas é. E a morte, que espera paciente desde o dia em que nascemos, vai ter que aguardar mais um pouco. Hoje não, querida. Hoje eu me levantei da cama.
Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 30/08/2025
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