google.com, pub-2061508496645724, DIRECT, f08c47fec0942fa0

... Expressividade ...

"Decifra-me mas não me conclua, eu posso te surpreender! - Clarice Lispector

Textos


O Silêncio do Cronista - +Luis Fernando Veríssimo+

 

Luis Fernando Veríssimo dizia que “sexo é como jogar tênis… se o parceiro não for bom, não tem graça nenhuma”. Dizia também que “casamento é a tentativa de transformar uma paixão passageira numa convivência suportável”. Com essas tiradas, ele falava do corpo, da carne, do desejo… não com vulgaridade, mas com o humor de quem sabia que tudo isso é provisório.

 

Sobre a vida, escreveu: “A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade”. E, de fato, a dele foi feita disso… de eternidades escondidas em crônicas curtas, em diálogos ácidos, em personagens que nos lembravam do nosso próprio ridículo. A vida, para Veríssimo, era uma comédia de erros que só fazia sentido quando a gente conseguia rir de si mesmo.

 

Agora, resta a morte. E ele mesmo já a havia encarado com ironia: “A gente sempre morre no final”. Nenhuma surpresa, nenhuma catarse… só a constatação de que o cronista também tem direito ao ponto final. E, ainda assim, a morte dele não é fim: é eco. Porque o riso que espalhou sobrevive em cada leitor que o encontra, mesmo nas páginas velhas de jornal.

 

Veríssimo sempre brincou que “a crônica é uma forma de literatura preguiçosa, porque fala do que já está na frente da gente”. Talvez seja isso o que dói agora: sem ele, ficamos sem esse espelho que mostrava o óbvio com beleza, sem o olhar que fazia do cotidiano uma confidência.

 

A morte do cronista não nos rouba as palavras que escreveu, mas rouba a possibilidade de novas. E isso é insuportável.

 

Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 30/08/2025
Alterado em 30/08/2025
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários

Tela de Claude Monet
Site do Escritor criado por Recanto das Letras