![]() Quando não é mais sobre argumento, é sobre ego feridoTem gente que envelhece... e endurece. Não vira sábio... vira ácido. Não cresce... infla. Carrega décadas nas costas e ainda assim, tropeça nas mesmas vaidades, nos mesmos medos mal resolvidos, na mesma arrogância de quem acredita ser dono da verdade... e da fala dos outros.
Dói — não por mim — mas por ele. Porque ver alguém tão cheio de si, tão cego de certeza, tão surdo de escuta... é um retrato triste do que o ressentimento faz com quem nunca aprendeu a se rever.
Esse tipo de homem... não suporta o pensamento livre. Mas pior: não suporta uma mulher que pensa. Não qualquer mulher — ele até tolera as que falam baixo, as que escrevem bonito, as que sorriem enquanto pedem desculpas por existir. O problema é quando ela não sorri. É quando ela cita... pensa... rebate... É quando ela não recua.
Segundo a psicanalista Vera Iaconelli, esse incômodo diante da mulher pensante — que se impõe com ideias e não com doçura forçada — revela uma estrutura frágil, que grita para não desabar. E grita mesmo... escreve ofensas longas, disfarçadas de opinião... Vomita palavras duras, se acha crítico... Mas só quer calar o que não consegue conter.
Christian Dunker chama isso de moralismo ressentido — e é isso. É aquele que não argumenta... ataca. Não quer diálogo... quer palco. Quer que você desça até ele — e você não vai.
A verdade, como diz Maria Homem, é que não há nada mais ameaçador que uma mulher que se autoriza. Sem pedir. Sem se desculpar. Sem abaixar os olhos.
E quando ela escreve, e ainda por cima é lida... aí o estrago tá feito. Porque ele não quer verdade — ele quer silêncio. E quando não consegue, surta.
Mas isso não é novo... Contardo Calligaris já dizia que quem tenta controlar o outro sob a desculpa de “ensinar” ou “corrigir” tá, na verdade, só tentando esconder o próprio medo.
Medo de ser irrelevante...De não ser mais ouvido... De ver que o mundo girou — e ele ficou.
Então não... Eu não vou descer pra arena. Não vou me explicar. Não vou revidar na mesma moeda — porque não sou feita de ódio nem de ego ferido.
E se ele me chama de feminista como se fosse insulto... Que pena. Eu só sou uma mulher que escreve — e escreve com a própria voz. Isso, pra alguns, já é imperdoável.
Mas eu sigo. Vírgula por vírgula. Reticência por reticência... Porque quando me tentam calar, eu escrevo mais. Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 31/03/2025
Alterado em 31/03/2025 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |