... Expressividade ...

"Decifra-me mas não me conclua, eu posso te surpreender! - Clarice Lispector

Textos


Sobre as mensagens que recebo — e as que não merecem resposta direta

 

Não é de hoje que escrevo sabendo que há quem vá discordar. Faz parte. Eu não escrevo para ser unanimidade. Mas há uma diferença brutal entre discordância e agressão. Entre crítica e tentativa de desqualificação.

 

Nas últimas semanas, recebi mensagens que passaram dos limites — ataques disfarçados de análise, ironias mal disfarçadas de elogios, insinuações que tentam me encaixar em rótulos ideológicos ou morais. Algumas vieram travestidas de crítica literária, outras assumidamente pessoais. Em comum, quase todas tentavam a mesma coisa: me desestabilizar.

 

Me acusaram de ambiguidade, de “falar bonitinho”, de escrever com base em CtrlC/CtrlV. Sugeriram que minha voz não é minha, que minhas ideias não são legítimas, que meu corpo ou minha história são privilégios sem mérito. E, como se não bastasse, alguns tentaram envolver cor, gênero, sexualidade e trajetória familiar na equação. Uma mistura de ressentimento e necessidade de controle.

 

Eu poderia ter respondido um a um. Mas entendi que certas respostas não se dão no campo da réplica. Elas se dão com posicionamento.

 

Eu sigo escrevendo. Sigo pensando com profundidade. Sigo sendo crítica, mas com afeto. Firme, mas com respeito. E sigo acreditando que há espaço para o diálogo — desde que ele não venha acompanhado de marretas simbólicas.

 

Não preciso ser amada. Mas exijo ser tratada com respeito. Quem quiser debater, que venha com disposição pra escutar — não pra se exibir. Não quero plateia, quero troca.

 

E pra quem só consegue existir atacando o outro, sugiro uma pausa. Não pra me poupar, mas pra que talvez, pela primeira vez, ouça o próprio silêncio.

Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 30/03/2025
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