![]() Crescer também é um grito silenciosoEles crescem, sim. Mas não sozinhos.
Por trás dos olhos cansados de um adolescente, existe uma dor que muitas vezes não sabe dizer o nome. Uma raiva contida, um medo abafado, um desejo de pertencimento que lateja. Crescer, pra muitos deles, é como atravessar uma ponte invisível — entre o que se era e o que ainda não se sabe ser.
E onde estão os pais, perguntam alguns. Estão ali, muitas vezes com o coração na mão e a cabeça cheia de culpas. Tentando dar conta do trabalho, da comida na mesa, do afeto que também lhes faltou na infância. Estão ali tentando não falhar, mas falhando. Porque também estão cansados. Porque também estão sozinhos.
A clínica escuta o que as telas não mostram. Famílias emocionalmente desorganizadas, sem espaço pra escutar o que não se diz com palavras. Adolescentes que encontram nas redes sociais um espelho distorcido de si mesmos, e que se perdem tentando caber em molduras que não lhes pertencem.
Mas ninguém cresce só. Ninguém atravessa o luto do corpo infantil, das fantasias sobre os pais, sem tropeçar. A questão é: quem sustenta esse sujeito quando ele cai?
O que consola o menino que tenta parecer forte? Quem abraça a menina que só queria ser vista?
Talvez não tenhamos todas as respostas. Mas talvez o início seja isso: parar para ouvir. Sem tentar consertar, sem interromper, sem julgar.
Porque às vezes, o que salva, é só ser escutado. Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 29/03/2025
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