![]() “Química é faísca. Alquimia é fogo que cuida.”
Não sei em que momento da vida começaram a nos vender que o amor bom é aquele que queima. Que começa com pele, desejo, suor e urgência. Que se mede pela intensidade da falta, pelo aperto no peito, pela vontade de estar colado o tempo inteiro. Talvez tenha sido nos filmes, nos livros, ou naquela ideia torta de que “amar de verdade” tem que doer um pouco — ou muito.
Só que, depois de um tempo, a gente cansa de fogos de artifício. A gente começa a desejar o fogo de chão: aquele que aquece sem pressa, que dura a noite inteira, que vira brasa boa pra esquentar conversa, silêncio e alma.
A química é fácil. Basta um olhar cruzado, uma sintonia breve, e o corpo responde. A alquimia… ah, essa exige presença, entrega e tempo. Não se faz alquimia sem verdade. Sem a coragem de se mostrar vulnerável, sem o ego inflado, sem os jogos.
Na alquimia, o toque vem depois da conversa. O beijo acontece depois do respeito. E o amor se firma depois que o encanto já foi testado pela realidade.
É ali, no dia a dia, que a gente descobre se o que sente é só química ou se já virou algo maior. Porque quando acaba o brilho do início, sobra o quê? Na química, sobra o vazio. Na alquimia, sobra parceria.
Eu já me queimei por não saber a diferença. Já confundi tesão com conexão, presença com apego, cuidado com controle. Mas o tempo — esse alquimista paciente — foi me ensinando que amor de verdade não grita. Ele acolhe. Não invade. Ele respeita. Não prende. Ele caminha junto.
A química é o convite. A alquimia é a resposta.
E quando a gente encontra alguém com quem dá pra ser inteiro, sem medo, sem disfarce, sem roteiro… Aí sim, começa o que realmente vale a pena.
Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 29/03/2025
Alterado em 29/03/2025 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |