![]() O prazer dos santos
Sentam-se nos bares, nas reuniões de trabalho, nas salas bem iluminadas onde falam sobre decência. Pregam a fidelidade, a compostura, o autocontrole. Dizem que a mulher deve ser recatada, que o homem precisa ser forte, que a luxúria é um veneno. Mas veja bem: enquanto falam, seus olhos escorrem como mel quente sobre uma bunda bem feita, sobre coxas firmes que cruzam e descruzam distraidamente, sobre seios que mal cabem no tecido apertado de um vestido.
Eles condenam o desejo, mas não param de babar por ele.
Chamam de pecado o que consomem em segredo. Seguem fiéis à esposa até o primeiro gole a mais. Amam as mulheres de respeito, mas se deitam com as que chamam de vadias. Dizem que respeitam as fêmeas que se dão valor, mas gemem o nome delas nas noites solitárias, com uma mão entre as pernas e a outra apagando o histórico do celular.
Ah, os santos modernos! Cheios de opinião, cheios de discursos, cheios de culpa. Lutam contra a carne como se fosse uma guerra, e perdem toda vez que uma bunda bem moldada passa por eles na rua.
No fundo, não há virtude, só medo. Medo do desejo que os domina. Medo do corpo que pede, que arde, que exige. Medo de admitir que são escravos do que negam.
Mas a carne não esquece. A carne nunca esquece.
E se alguém, agora, se remexe incomodado na cadeira, eu pergunto: será porque estou errado, ou porque toquei exatamente onde dói? Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 09/03/2025
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