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O Assédio e a Falha na Justiça Corporativa:

Uma Reflexão Aristotélica

 

Aristóteles nos ensina que a justiça é a base da harmonia social, e sua ausência leva ao desequilíbrio e à manipulação das relações humanas. No ambiente corporativo, onde políticas e códigos de conduta devem atuar como guardiões da dignidade e da equidade, muitas vezes encontramos uma realidade bem diferente: a cultura do medo, o despreparo das lideranças e a seletividade da justiça, que favorece alguns e silencia outros. O assédio, seja moral ou sexual, persiste não apenas pela ação dos agressores, mas também pela omissão daqueles que deveriam proteger a ordem e a ética.

 

A cultura do medo impede que as vítimas utilizem os canais de denúncia, pois há um descrédito no sistema e uma sensação de vulnerabilidade frente ao poder. Muitas empresas ostentam políticas robustas em papel, mas falham em sua aplicação prática. Quando líderes, que deveriam ser exemplos de virtude e justiça, protegem seus pares em vez de corrigir desvios, reforçam um ciclo de impunidade e injustiça. Isso se agrava ainda mais quando há uma visão de proteção entre os homens, perpetuando uma lógica de poder que exclui e intimida.

 

Entretanto, é essencial considerar que o assédio não é uma questão de gênero, mas de caráter. As mulheres também assediam, e a virtude aristotélica da justiça exige que o julgamento seja feito sem parcialidade, considerando a conduta em si, e não apenas quem a pratica. A verdadeira ética corporativa deve ir além de discursos vazios e medidas simbólicas; deve promover uma cultura onde a equidade e o respeito não sejam apenas abordados, mas fundamentados a ser uma postura inegociável ​​no convívio profissional.

 

Aristóteles nos lembra que “a excelência não é um ato, mas um hábito”. Se queremos um ambiente corporativo verdadeiramente ético, é necessário que a justiça seja uma prática constante, e não apenas uma resposta ocasional a escândalos. O combate ao assédio exige coragem moral, líderes preparados e um compromisso genuíno com o bem comum. Só assim poderemos construir organizações onde a dignidade não seja uma promessa, mas uma realidade.

Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 06/03/2025
Alterado em 06/03/2025
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