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A ascensão de um novo comércio Global

 

O mundo gira, mas algumas potências insistem em tentar segurá-lo com as próprias mãos. Donald Trump, com sua política protecionista e tarifas agressivas, talvez tenha acreditado que fortaleceria os Estados Unidos ao taxar seus aliados e adversários comerciais. Mas o efeito foi outro. Como um rio que encontra um obstáculo, o comércio global começou a desviar seu curso, fluindo para novas alianças e reconfigurando o tabuleiro econômico mundial. A imposição de tarifas sobre o Canadá, o México e a China acendeu um alerta: a dependência do mercado americano não pode ser eterna. Em resposta, os países afetados ergueram barreiras, impuseram tarifas recíprocas e buscaram novos parceiros comerciais. O Canadá e o México fortaleceram laços com a Europa e a Ásia. A China, sempre estratégica, intensificou sua influência na América Latina e em mercados emergentes. Mas talvez a mudança mais significativa tenha sido o fortalecimento do BRICS.

 

O BRICS Como Alternativa ao Eixo EUA-Europa

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul já vinham construindo uma estrutura econômica paralelamente ao Ocidente, mas o aumento do protecionismo americano impulsionou essa transição. Com os EUA dificultando o comércio com parceiros tradicionais, o BRICS tornou-se uma plataforma ainda mais atraente para países que buscam estabilidade econômica sem a dependência das decisões voláteis de Washington.

 

China e Índia, os motores do crescimento : Com as avaliações americanas, a China acelerou seu investimento na América Latina e na África. A Índia, por sua vez, buscou maior protagonismo no cenário global, fortalecendo acordos bilaterais com seus parceiros do BRICS.

 

Rússia, a fortaleza energética : Com avaliações ocidentais de um lado e a guerra comercial dos EUA de outro, a Rússia intensificou a venda de petróleo e gás para a China, Índia e outras economias emergentes, diminuindo sua vulnerabilidade ao mercado europeu.

 

Brasil e África do Sul, os fornecedores estratégicos : O Brasil, com sua produção agrícola e de minerais, e a África do Sul, rica em recursos naturais, forneceu-se peças-chave para garantir a segurança alimentar e energética do bloco.

 

O Novo Mapa do Comércio Global

A globalização não pode ser contida por tarifas e barreiras unilaterais. Quando os Estados Unidos decidiram impor custos adicionais aos seus próprios aliados, abriram espaço para o surgimento de uma nova ordem econômica. O comércio que antes fluía majoritariamente pelos portos de Nova York e Los Angeles agora se espalha por Xangai, Mumbai, São Paulo e Moscou. Se antes os países viajavam pelos EUA como o centro gravitacional do comércio mundial, hoje o eixo está se deslocando. O BRICS, com sua diversidade de economias e recursos, tornou-se uma alternativa real para nações que buscam independência comercial. Não se trata apenas de retaliar Washington, mas de construir uma rede comercial que não dependa dos humores de uma única potência. Talvez Trump tenha batido o martelo acreditando que fortaleceria sua posição no mundo. Mas, ao invés disso, pode ter sido o arquiteto involuntário de uma nova era: um mundo onde o poder econômico está cada vez menos concentrado e cada vez mais distribuído.

 

O comércio segue seu curso. E aqueles que tentam represá-lo acabam ficando para trás.

Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 04/03/2025
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