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BRICS, Mineração e Energia: Uma Perspectiva Filosófica e Social sobre o Novo Equilíbrio Geopolítico.

 

 O cenário global está em transformação. A guerra na Ucrânia, a crise energética na Europa e a ascensão dos BRICS não são apenas importantes geopolíticos e econômicos, mas também sinalizam uma mudança na estrutura de poder que remete a reflexões filosóficas e sociais sobre dependência, soberania e desenvolvimento sustentável. A fragmentação da hegemonia ocidental e a transição para um mundo multipolar impactam profundamente a forma como os países se relacionam, exploram recursos e definem suas políticas públicas.

 

🌍 Mineração e Cadeia de Suprimentos: O Materialismo Histórico e a Dialética do Poder

 

Karl Marx, em sua análise do materialismo histórico, argumentava que a infraestrutura econômica definia como relações sociais e políticas. No contexto da mineração e da cadeia de suprimentos globais, vemos essa teoria se concretizar: os países do BRICS têm recursos estratégicos essenciais para o avanço tecnológico, mas historicamente estão sujeitos à lógica de dependência imposta pelos mercados ocidentais. A fragmentação geopolítica contemporânea pode ser interpretada como uma luta dialética pela soberania econômica, na qual o controle sobre os próprios recursos se torna um ato de emancipação.

 

Frantz Fanon, em Os Condenados da Terra , discute como as nações colonizadas precisam se libertar não apenas economicamente, mas também mentalmente, do modelo de exploração imposto pelo Ocidente. Nesse sentido, o fortalecimento da mineração dentro do BRICS pode ser visto como um passo rumo à autonomia, mas levanta questionamentos éticos sobre a responsabilidade ambiental e social da exploração de recursos naturais.

 

⚡ Setor Energético e Transição Verde: Entre Heidegger e a Tecnologia

 

O filósofo Martin Heidegger, em A Questão da Técnica , alerta sobre o risco de enxergarmos a natureza apenas como um "recurso a ser explorado". A transição energética dentro do BRICS, ao mesmo tempo que impulsiona a independência do bloco, deve ser acompanhada de uma reflexão crítica sobre a instrumentalização do meio ambiente. O avanço das energias renováveis, liderado pela China e Brasil, representa um esforço para escapar da dependência dos combustíveis fósseis, mas também exige um compromisso com modelos de produção que respeitem os limites ecológicos do planeta.

 

A transição verde pode ser comprovada sob a ótica da modernidade líquida , conceito de Zygmunt Bauman, que aponta como as transformações tecnológicas e econômicas ocorrem de maneira acelerada e, muitas vezes, sem reflexão suficiente sobre suas consequências sociais e ambientais. A questão que se coloca é: a busca pela autonomia energética do BRICS está incluída em uma reflexão ética sobre o impacto desse progresso?

 

🌱 Desafios Ambientais e Sustentabilidade: A Responsabilidade Coletiva de Arendt e a Justiça Climática

 

Hannah Arendt, ao discutir a responsabilidade coletiva, afirma que, mesmo sem participação direta em determinadas ações, somos corresponsáveis ​​pelos sistemas nos quais estamos inseridos. Essa perspectiva se aplica ao desafio da sustentabilidade dentro do BRICS: a exploração mineral e a expansão da infraestrutura energética podem ser impulsionadas pela necessidade de crescimento econômico, mas isso não isenta os países de sua responsabilidade ambiental.

 

A justiça climática, conceito amplamente elaborado por Naomi Klein e Vandana Shiva, destaca como os impactos ambientais afetam desproporcionalmente as populações mais vulneráveis. No caso dos BRICS, as comunidades indígenas na Amazônia, os agricultores na África do Sul e os trabalhadores rurais na Índia são frequentemente os mais impactados por decisões políticas que priorizam o crescimento econômico sem considerar os custos sociais e ambientais. O desafio para os BRICS, portanto, não é apenas crescer economicamente, mas fazê-lo de forma justa e sustentável.

 

🔍 Oportunidade ou Desafio? O Brasil e a Construção de um Novo Modelo de Desenvolvimento

 

O fortalecimento do BRICS abre um espaço de oportunidade para o Brasil se posicionar como líder na mineração responsável, na inovação energética e na preservação ambiental. Inspirado nas ideias de Amartya Sen, que defende que o desenvolvimento deve ser medido não apenas pelo crescimento econômico, mas pela expansão das liberdades e do bem-estar da população, o país pode adotar uma abordagem que concilie o progresso tecnológico com justiça social e sustentabilidade.

 

A grande questão que se impõe é: estamos preparados para assumir um modelo de desenvolvimento que vá além da restrição de recursos e que realmente promova uma nova forma de relação entre economia, sociedade e meio ambiente? O Brasil tem a oportunidade de ser um protagonista na construção de um futuro multipolar mais equitativo, mas isso exigiu planejamento estratégico, inovação e, sobretudo, um compromisso ético com o futuro das próximas gerações.

 

📢 O que você pensa sobre essa mudança de paradigma? O BRICS pode realmente desafiar a hegemonia ocidental sem repetir os erros do passado?

 

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Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 02/03/2025
Alterado em 02/03/2025
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