![]() Crônica Corporativa:Ilusão do Conforto🧠
João era um profissional experiente. Vinte anos na mesma empresa, conhecia cada corredor, cada política, cada protocolo. Era respeitado por sua lealdade e por saber exatamente como as coisas funcionavam. Mas, com o tempo, sem perceber, perdeu algo valioso: a capacidade de enxergar.
No início, questionava os processos, via falhas, sugeria melhorias. Com o passar dos anos, se acostumou. "Sempre foi assim", pensava, quando via algo que poderia ser diferente. O erro, antes tão evidente, agora passava despercebido. O risco, que um dia teria acionado um alerta, se camuflava na rotina. João não percebia, mas havia se tornado prisioneiro da própria experiência.
Mas a verdade é que João não ficou apenas cego para o perigo. Ele também ficou cego para as possibilidades.
Por anos, teve oportunidades de mudar, de buscar novos desafios, de reinventar-se. Mas ficou. O conforto do conhecido era mais forte do que a incerteza do novo. O medo da instabilidade o impediu de aceitar aquela proposta em outra cidade. O receio do julgamento o fez ignorar o desejo de seguir uma nova carreira. Ele preferiu o que era seguro, e a cada ano que passava, a ideia de mudança parecia mais assustadora.
Até que um dia, um acidente aconteceu. Pequeno, mas evitável. João passou ao lado da falha muitas vezes, mas não viu. Ou melhor, viu, mas não reconheceu. E então, compreendeu: anos de familiaridade o haviam tornado cego para o perigo, para o erro, para o novo.
A rotina pode ser uma armadilha. Empresas valorizam a experiência, mas o perigo da zona de conforto é a acomodação. Quando deixamos de questionar, deixamos de evoluir. Quando aceitamos tudo como sempre foi, nos tornamos parte do problema. E o pior: quando nos agarramos ao que já conhecemos por medo do desconhecido, condenamos nosso próprio crescimento.
João percebeu que a vida não pode ser vivida com medo. Ele começou a olhar a empresa como se fosse seu primeiro dia. Questionou processos, revisou regras, incentivou o olhar crítico na equipe. Mas, mais do que isso, começou a olhar para si mesmo. Será que ainda estava onde queria estar? Será que ainda fazia sentido?
No mundo corporativo e na vida, não há espaço para a cegueira da rotina. O maior risco não está no desconhecido, mas na ilusão de que sabemos tudo. E o maior arrependimento não é o erro, mas as oportunidades que deixamos passar porque tivemos medo de tentar.
Simone Carmo Estudante de Filosófia Corporativa Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 01/03/2025
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