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... Expressividade ...

"Decifra-me mas não me conclua, eu posso te surpreender! - Clarice Lispector

Textos


A sintonia, o respeito, a simplicidade e a confiança… estavam todas de carona com um moço surpreendente. Não sei onde essa história vai parar, e talvez nem precise. Se já terminasse aqui, ainda assim teria valido muito a pena.
 
Foi assim que começou…
 
Era setembro de 2011, um sábado marcado há meses para voltar pra casa depois de quase seis longos meses distante. Acordei às quatro e meia, arrumei minhas coisas no carro, vesti um shortinho confortável, uma blusa leve, tênis nos pés… e segui viagem. O destino estava a 800 km de distância, algo entre oito e nove horas de estrada, com apenas uma parada rápida para abastecer meu cavalo branco e tomar fôlego.
 
Eu não fazia ideia de que aquele dia carregava um enredo digno de novela…
 
Faltavam duas horas para chegar quando peguei uma estrada vazia e esburacada que eu conhecia bem. No horizonte, um Sandero prata rodava tranquilo, entre 60 e 80 km/h. Mantive meus 120 km/h e ultrapassei, sem ao menos olhar para o lado. Mas ele me viu… uma loira dirigindo um Hoggar branco sem película. E foi aí que tudo começou.
 
Segui ouvindo The Doors, fiel companheiro das minhas viagens. Só que o Sandero acelerou, me alcançou e me ultrapassou algumas vezes. Confesso, senti um frio na barriga. Olhei no retrovisor e lá estavam os sinais: beijos soprados no ar, coraçõezinhos feitos com as mãos, farol piscando em brincadeira. Até que, de repente, ele ergueu o celular, como quem pedia o meu número…
 
A curiosidade falou mais alto. Depois de quilômetros de olhares e sinais, encostei num acostamento seguro. Foi quando vi surgir um moreno alto, quase 1,90, vindo em minha direção. Pelo retrovisor já tinha reparado no sorriso, no peito largo, nos braços fortes, no jeito de andar. Abaixei o vidro e ele se apresentou… um nome bonito, daqueles que deslizam na boca.
 
A primeira surpresa: trabalhávamos na mesma empresa.
A segunda: um beijo. Rápido, mas cheio de malícia, nascido da loucura da situação.
 
Beijar um estranho que me seguia havia uma hora, entre corações e sorrisos, foi excitante. Surpreendente. E mereceu minha atenção inteira naquele instante.
 
Trocamos números e seguimos. Mas a excitação ficava ali, latente, tomando conta do corpo. Mais à frente, outro sinal de luz. Encostei de novo. Dessa vez, palavras ardentes, línguas que se buscavam, perfumes misturados, mãos insinuando possibilidades infinitas…
 
Maldita pressa que me fez recusar o que poderia ter se tornado um daqueles encontros únicos, intensos, incontroláveis. Mas, mesmo assim, foi o suficiente para ele me apresentar dois sentimentos que viajavam com ele desde o início: confiança e respeito.
 
A sintonia… essa eu descobriria alguns dias depois.
 
Continua…
Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 04/12/2011
Alterado em 07/09/2025


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