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Era uma sexta-feira de chuva grossa, dessas que fazem a cidade parecer em transe. Cecília saiu do trabalho inquieta, o corpo pedindo mais do que descanso... fazia cinco dias que não via Pedro, e a fome de pele já latejava. Parada no farol vermelho, ela pegou o celular e digitou devagar, com malícia: Pedro estava numa reunião arrastada, cercado de falatórios vazios. O celular vibrou. Bastou um olhar para a mensagem para o sangue ferver. Sorriu por dentro, o desejo escorrendo feito avalanche — perigoso, incontrolável, mas irresistível. Levantou-se da cadeira, olhou para a sala atônita e disse:
No carro, cada quilômetro era um soco no peito. O GPS o guiava, mas quem comandava era a pulsação do corpo. Ao chegar, viu-a. Uma ruiva incendiária, cabelos curtos e vermelhos, pele de porcelana, boca carnuda, olhar cinza que hipnotizava. Vestido preto colado, salto alto, casaco verde apenas disfarçando o pecado do decote. Não parecia Cecília... era outra mulher. Uma fantasia viva.
Ela entrou no carro perfumada, elegante e debochada. Sorrisos cúmplices, frases jogadas no ar, mas os olhos gritavam o que as bocas ainda não diziam. O desejo se impôs. Os lábios se encontraram violentos, famintos. Beijos molhados, língua contra língua, mãos deslizando sem pudor. O vestido cedeu espaço ao toque: seios à mostra, duros, na boca dele.
Cecília, agora Desejo, sussurrou:
“Me chama assim... sou o teu Desejo.”
Pedro a tomou com força, mãos firmes nas coxas, puxando-a para o colo. O vestido erguido revelou a promessa: nua, entregue, quente. Ele a penetrou de uma vez, gemidos abafados contra o vidro embaçado. O carro virou oceano. Respiração entrecortada, suor pingando, pele contra pele.
Cada movimento era selvagem, urgente, como se o mundo fosse acabar ali. Os corpos batiam no ritmo da chuva, vidros cobertos pelo vapor da luxúria. O tempo sumiu... o espaço também. Só havia aquele gozo partilhado, intenso, insano. Uivaram juntos, despedaçados de prazer.
Molhados, exaustos, ainda se beijaram como amantes eternos. Cecília limpou o suor das costas dele com o próprio vestido, sorriu maliciosa e saiu do carro.
Pedro a observava. No retrovisor, o choque: a peruca vermelha deslizando, revelando os cabelos negros de Cecília. A excitação voltou como uma onda. Ele não resistiu, deu meia-volta e entrou pela porta entreaberta da garagem.
Lá dentro, o cenário era um altar de fantasias: perucas, lingeries, saltos, roupas exóticas espalhadas. Do banheiro, a música suave — Love and Affection. Cecília estava na banheira, olhos fechados, boca vermelha borrada.
Pedro se aproximou, sussurrou no ouvido dela:
“É perigoso deixar a porta aberta, querida... Mas hoje, quem vai te atacar sou eu. Põe o cabelo loiro. Me deixa brincar com o meu tesão. E cala a boca... sem gritar.”
E ela sorriu, pronta para ser todas as mulheres que ele desejasse.
Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 07/02/2009
Alterado em 07/09/2025 Copyright © 2009. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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