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Cecília não sabia... mas aquele não seria um dia comum. O sol parecia ter decidido iluminá-la de um jeito diferente, queimando macio sobre sua pele, como se fosse um abraço antigo. Foi nesse instante, ainda na manhã tímida, que André bateu à sua porta.
Quando os olhos de Cecília encontraram os de André... quando os olhos de André se prenderam nos de Cecília... o silêncio se fez ensurdecedor. Um instante suspenso, como se o mundo tivesse parado para assistir.
A emoção explodiu em ambos e, num sopro, transformou-se em encanto. Foi reencontro, mesmo sem nunca terem estado juntos. Foi reconhecimento, como se duas almas que vagaram perdidas finalmente se tocassem outra vez.
Nos olhos de Cecília brotou uma lágrima antiga, nascida de uma saudade que não tinha nome. Nos olhos de André, o reflexo de quem reencontrava uma alma sofrida que o tempo — ou a eternidade — havia levado.
André a fitava fundo, como se buscasse no invisível as lembranças de algo que nunca viveu, mas sempre soube. E o tempo, parado à soleira da porta, já não fazia sentido. Apenas o instante importava... instante de um amor que talvez tivesse se perdido em outra vida, e agora se permitia florescer.
Cecília pensava: será que já dançamos juntos em algum tempo esquecido? André refletia: será que já fomos cúmplices de um juramento eterno?
Nada foi dito. Apenas o gesto. André a tomou num abraço terno, como quem encontra abrigo depois de séculos de tempestade. Cecília não resistiu. Entregou-se. E nesse afago, sentiu o coração apertar — a dor de quem ama através do tempo e aprende a suportar a crueldade da distância e da saudade.
Naquela manhã, no primeiro olhar, ambos souberam. Não eram estranhos. Eram antigos. Reconheceram-se sem palavras, como quem toca a mesma música em compassos diferentes. Os laços estavam ali... invisíveis, mas reais.
O abraço demorou. O silêncio se tornou casa. Os corações batiam no mesmo compasso, e a eternidade se condensou em segundos.
E no instante em que se encontraram, fez-se magia. E no instante em que se abraçaram, fez-se o eterno.
Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 10/04/2006
Alterado em 07/09/2025 Comentários
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