... Expressividade ...

"Decifra-me mas não me conclua, eu posso te surpreender! - Clarice Lispector

Textos


Homem x Mulher
Sexo x Amor
Conquista x Satisfação

 

“...Porque nenhuma mulher que me interessa se não tiver um amante, um marido, um confessor, um Deus ou alguma dificuldade a qual pertença...” (Don Juan de Marco, do escritor Tirso de Molina)

 

Você já ouviu falar na Síndrome de Donjuanismo ? Mas quem foi, afinal, Don Juan? Criado pelo escritor Tirso de Molina em sua obra “El Burlador de Sevilla” em 1630, Don Juan de Marco foi um lendário sedutor espanhol, conhecido por conquistar mais de mil mulheres sem jamais conseguir amar verdadeiramente nenhuma delas.

Ano de 2006, século XXI... 


Sabe aquela pessoa encantadora, que parece ser boa demais para ser verdade, e nos faz acreditar que estamos vivendo um conto de fadas? De repente, quando o conto de fadas parece virar realidade, essa pessoa simplesmente perde o interesse e desaparece… assim, do nada. Dias, meses se passam, e a espera continua em vão. Surge então aquela abertura no peito e a famosa pergunta que não sai da cabeça:
“O que EU fez de errado? Era tudo perfeito… onde errei para que tudo acabasse sem explicação?”

Se você já passou por isso, pode ter se apaixonado por alguém (homem ou mulher) com a chamada Síndrome de Donjuanismo. Acredite, isso realmente existe!

 

Pessoas com esse perfil, na maioria das vezes, não idade por maldade. São simplesmente conquistadores impulsivos, que nos fazem acreditar que estamos diante de alguém sensível, romântico, sedutor. Porém, por trás dessa fachada, esconde-se um instinto incontrolável de desafio e a compulsão pela conquista.

Essas pessoas são capazes de investir meses em um alvo (ou melhor, em um coração), utilizando todas as suas “armas”: jantares românticos, baladas, e-mails carinhosos, longas ligações, presentes e até viagens para lugares paradisíacos, tudo para impressionar. Porém, assim que tudo parece perfeito e o coração conquistado começa a acreditar em um amor eterno, a pessoa simplesmente desaparece. Sem explicação. Sem adeus.

 

Um verdadeiro Don Juan não suporta ouvir um “não”. Para ele (ou ela), um “não” é um combustível, um estímulo para utilizar todos os recursos de sedução, até sentir o prazer da conquista. Para essas pessoas, o desafio é mais importante que o próprio relacionamento. Extremamente curiosas, elas calculadoras desvendam mistérios. Quando colocamos os olhos em alguém, é como se analisassem esse “alvo” como uma espécie rara. Às vezes, é difícil saber se estão atraídas pela beleza ou intrigadas pelo mistério que percebem no olhar do outro.

Esses indivíduos adoram enigmas e podem passar muito tempo tentando desvendá-los. Contudo, quando finalmente decifram o “segredo”, perdem o interesse.Sua personalidade é fundamentada em quantidade e não em qualidade quando se trata de amores e conquistas. Essa necessidade constante de seduzir faz com que muitos Don Juans sejam admirados e desejados. Eles geralmente são pessoas interessantes, charmosas, bonitas e muito sedutoras. No entanto, por trás de todo o carisma, há uma dificuldade em criar laços profundos e duradouros.

 

A síndrome do Donjuanismo é descrita como uma personalidade que necessita seduzir constantemente. Essas pessoas se apaixonam pela conquista em si, especialmente por desafios difíceis. Uma vez que consegui o que interessa, abandonei o relacionamento. São considerados “anarquistas do amor”, pois validam qualquer meio para alcançar seus objetivos, sem levar em conta os sentimentos dos outros.

Alguns especialistas destacam que o Don Juan desafia duas grandes regras da civilização ocidental: a lei da aliança e a lei do desejo fiel.

 

Segundo estudos realizados por psiquiatras americanos, como Peter Lee e Michael Smith, a síndrome do Donjuanismo está associada a um comportamento compulsivo causado por um desequilíbrio químico no cérebro. Especificamente, essas pessoas apresentam carência de uma substância chamada feniletilamina (FEA), responsável pelas sensações de exaltação, alegria e euforia experimentadas quando estamos apaixonados.

Normalmente, a paixão provoca uma saturação dos neurônios do nosso centro emocional por essa substância, o que gera um estado de euforia que, para a maioria das pessoas, desaparece após três a seis meses de namoro. No entanto, para o conquistador compulsivo, essa necessidade é constante. Ele precisa de novas doses de FEA para se manter apaixonado pela conquista.

 

Como aponta Peter Lee:


“Por trás do homem ou da mulher poderosa(a), inabalável e brilhante, esconde-se uma pessoa infeliz, presa a um ciclo interminável de conquistas que não resultou em estabilidade emocional. Muitas vezes, essas pessoas ficam sozinhas.”

 


 

 

 

Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 13/02/2006
Alterado em 28/01/2025

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