google.com, pub-2061508496645724, DIRECT, f08c47fec0942fa0


02/08/2026 23h13
A pele...
Essas fotos não são só sobre pele. São sobre o momento em que eu percebi que, no meio de tanta coisa, eu também tinha me perdido de mim.
Quando você está lutando para voltar ao mercado, tentando mostrar competências que as pessoas nem imaginam que você tem, tudo pesa mais. Você percebe que muitos amigos não sabem exatamente o que você faz, o que estudou, o que construiu, os lugares por onde passou, os projetos que entregou. Não sabem que você escreveu um livro, que tem ideias, que tem outros dons além daquela parte de você que conheceram.
E, muitas vezes, nem perguntam.
A família conhece a filha, a irmã, a tia. Os amigos conhecem a companhia, a conversa, a pessoa que escuta e ajuda. Mas quase ninguém conhece a profissional inteira. Quase ninguém sabe o quanto você luta, quantas vezes começa de novo ou o medo que sente quando uma oportunidade não vem.
Isso não me faz melhor nem pior do que ninguém. Só me fez entender que, por muito tempo, eu tive mais interesse em conhecer profundamente as pessoas do que algumas delas tiveram em me conhecer.
Quando a gente perde justamente a nossa maior referência, aquela pessoa que acreditava nos nossos sonhos, nas nossas escolhas e até nas nossas maluquices, alguma coisa dentro da gente também perde direção.
O trabalho termina. A oportunidade vai embora. O dinheiro aperta. A criatividade diminui. A vontade de aparecer some. Uma coisa vai puxando a outra, como dominó.
A gente chora, sente raiva, se cala e, ainda assim, sorri nas fotos. Porque um sorriso consegue esconder muita coisa. Até o dia em que você olha no espelho e percebe que já não está conseguindo enxergar a mulher que existia ali.
Foi nesse ponto que eu entendi que precisava voltar a cuidar de mim.
Não para parecer mais jovem. Não para agradar ninguém. Não porque uma pele bonita resolva o luto, a vida profissional ou a escassez de oportunidades. Mas porque é muito difícil ocupar um espaço no mundo quando você já não consegue ocupar nem o próprio corpo com presença.
A nossa imagem fala antes de nós. Ela interfere na postura, na segurança, numa entrevista, numa reunião e na coragem de aparecer. Não substitui competência, mas o abandono também pesa. E eu estava me abandonando sem perceber.
Por isso, meu agradecimento à Dra. Thaís e à Dra. Cirlei vai muito além de um cuidado estético. Elas souberam encontrar o equilíbrio que eu precisava. Não tentaram me transformar em outra mulher. Ajudaram a retirar um pouco do cansaço que já estava falando por mim.
Ainda estou reconstruindo muita coisa. Minha vida, meu trabalho, minha confiança, meus projetos e a forma como me vejo.
Cuidar da minha pele não apaga o que perdi.
Só me lembrou que eu ainda estou aqui. Publicado por Monet Carmo em 02/08/2026 às 23h13
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |