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28/06/2026 14h34
A Taça
O restaurante estava cheio, e por isso mesmo ela teve coragem. Ele a olhava como quem esperava uma resposta que não cabia em palavras. Sobre a mesa, havia uma taça vazia. Dentro dela, minutos depois, repousava a renda preta, discreta e impossível, como um segredo que resolveu aparecer em público. Ela derramou a água devagar. O tecido afundou. Ele entendeu. Sem sorrir, levou a taça aos lábios e bebeu olhando para ela. Naquele instante, os ruídos do salão desapareceram: o garçom, os talheres, os casais, a música baixa. Restaram apenas os olhos dele, a calma dela e uma espécie de pacto líquido entre os dois. Quando ele guardou a renda no bolso e disse “vamos”, ela se levantou sem pressa. Lá fora, a noite parecia outra. E a taça, deixada sobre a mesa, continuou vazia — embora tivesse acabado de transbordar.
Publicado por Monet Carmo em 28/06/2026 às 14h34
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