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21/04/2026 19h48
28 dias de sua partida...
Mãe…
Hoje eu abri o teu guarda-roupa… e eu preciso te pedir perdão.
Perdão por não ter visto antes… perdão por não ter cuidado… perdão por ter deixado o tempo fazer isso… com as tuas coisas.
Quando eu abri… veio aquele cheiro… forte… úmido… pesado… e parecia que não era só mofo…
era o tempo dizendo que passou… mesmo quando eu ainda não tinha conseguido aceitar.
Eu fui tirando tuas roupas… uma por uma… e cada peça parecia ter tua presença ainda… teu jeito… tua rotina… teu cheiro… e, ao mesmo tempo… já não era mais.
E isso me quebrou, mãe…
Porque eu tentei, lá dentro de mim, te deixar intacta… como se nada fosse te tocar… como se o mundo não pudesse te alcançar depois que tu se foi.
Mas tocou.
A água caiu… o tempo passou… e eu não estava ali pra ver… pra impedir… pra cuidar.
E isso doeu de um jeito que eu não sei explicar.
Eu sentei no chão… com tuas coisas nas mãos… e chorei…
Chorei de culpa… chorei de saudade… chorei porque, por um instante, eu senti que falhei contigo.
Mas no meio disso tudo… eu fiquei.
Eu não fechei a porta. Eu não fingi que não vi.
Eu abri… eu enfrentei… eu cuidei do que ainda podia ser cuidado.
E talvez… seja isso que eu preciso te dizer também… Eu continuo aqui, mãe.
Mesmo quebrada… mesmo atrasada… mesmo cheia de culpa…
eu continuo tentando cuidar… do que ainda é teu… do que ainda é nosso… do que ainda vive em mim.
Me perdoa… se em algum momento eu não fui o suficiente… se eu não vi… se eu não consegui.
Mas hoje… no meio daquele cheiro ruim… daquela dor toda… eu entendi o quanto eu te amo.
E o quanto ainda dói… não poder mais cuidar de ti… do jeito que eu queria.
Eu te amo… e estou tentando, mãe… de verdade… estou tentando. Publicado por Monet Carmo em 21/04/2026 às 19h48
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