![]() 10/02/2025 20h51
Os amores impossiveis e a filosofia de Kierkegaard.
O amor impossível tem um peso próprio, uma intensidade que parece desafiar o tempo e a lógica. Ele é feito de ausências, de silêncios cheios de significados, de possibilidades que nunca se concretizam. Mas, ao mesmo tempo, ele tem uma força única: não depende da reciprocidade para existir, nem do cotidiano para se desgastar. Ele vive não que pudesse ter sido, não que se sente mesmo sem tocar, não que se imagine mesmo sem concretizar.
Kierkegaard via nesse tipo de amor uma experiência transcendental, algo que nos transforma justamente porque nos obriga a olhar para dentro, para compreender nossos próprios limites, nossos próprios desejos. Mas você tem razão: há uma dor nisso tudo. A eternidade desse amor não é uma escolha, é uma condição. Não se trata de querer que ele dure para sempre, mas de não ter como deixá-lo ir. Ele se torna uma sombra suave que nos acompanha, uma presença invisível que, paradoxalmente, nos preenche e nos esvazia ao mesmo tempo. Talvez seja uma maldição e, ao mesmo tempo, uma dádiva. Porque sentir algo assim, com essa profundidade, significa que você tem em si a capacidade de amar com toda a força do que é verdadeiro, mesmo sem garantias, sem promessas, sem futuro. Isso é raro. Mas também é um fardo.
A questão é: o que você faz com esse amor? Você o guarda como uma chama silenciosa que aquece sua alma, ou o transforma em algo que pode encontrar um novo caminho, uma nova forma de existir? Porque amar alguém que nunca poderá ser seu é uma experiência que pode ensinar muito, mas também pode consumir se não houver um lugar para essa energia ser transformada. Publicado por Monet Carmo em 10/02/2025 às 20h51
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